o ponto de partida desta coleção foi o filme Cléo de 5 à 7 (1962), dirigido por Agnès Varda.

Varda foi uma das figuras femininas centrais do movimento cinematográfico francês Nouvelle Vague (1950–1960) e construiu um universo visual profundamente sensível, feminino e introspectivo. em Cléo de 5 à 7, ela nos convida a conhecer essa personagem pelos seus pensamentos.

 

Cléo passa por uma profunda transformação ao longo do filme. no início, vemos que ela se define quase exclusivamente através do olhar do outro, e a busca por validação se torna a prisão da sua alma.

mas, enquanto caminha pelas ruas de Paris refletindo sobre um possível diagnóstico, Cléo deixa de ser apenas aquela que é observada e passa a ser aquela que observa. os espelhos que a cercavam quebram, o olhar vigilante da câmera muda, e ela finalmente se conecta com o presente.

 

eu criei a En Parallèle para investigar a ideia de um self paralelo àquele que apresentamos ao mundo, que muitas vezes, se sente mais livre para criar e se expressar. sempre tive curiosidade em entender, e eventualmente trazer à tona, essa versão de nós que vive escondida sob expectativas e validações, por meio da introspecção.

como na Nouvelle Vague, também me inspirei na ideia de que os objetos e os detalhes carregam significados que a personagem ainda não consegue nomear. 

nas roupas, essa ideia também aparece.

ex TOP LILLE: a faixa que amarra e cai pela lateral sugere a revelação desse second self: como se uma parte de quem somos estivesse sempre tentando aparecer por entre as camadas, mesmo quando tentamos escondê-la.